MEI é o CNPJ do microempreendedor individual. Veja o que é, quem pode ser, o custo do DAS em 2026 e o passo a passo para se formalizar hoje.
Resposta rápida
MEI, ou Microempreendedor Individual, é o regime empresarial simplificado criado pela Lei Complementar 128/2008 para quem fatura até R$ 81.000 por ano, trabalha por conta própria e quer um CNPJ. A formalização é feita no Portal do Empreendedor, em poucos minutos, e garante aposentadoria, auxílio-doença e o direito de emitir nota fisca
O que você vai ver neste post:
- Por que trabalhar sem CNPJ trava vendas, crédito e aposentadoria, e como o MEI resolve isso
- Quem pode ser MEI em 2026, quanto custa o DAS e o passo a passo completo da formalização
- Como emitir nota fiscal de MEI sem depender de portal instável nem de retrabalho manual
O cliente fecha o pedido, aprova o orçamento e faz uma única pergunta: “você emite nota?”. Sem CNPJ, a resposta é não, e a venda vai para o concorrente formalizado. Esse é o momento em que a maioria dos brasileiros descobre que informalidade custa dinheiro.
Segundo o Portal do Empreendedor, o Brasil já passou de 15 milhões de MEIs ativos, o que faz do Microempreendedor Individual a porta de entrada mais usada para o mundo empresarial no país. Em 2026, o limite de faturamento segue em R$ 81.000 por ano, e o custo mensal parte de R$ 76,90.
Neste guia você entende o que é MEI de fato, quem pode se enquadrar, quanto custa, quais obrigações nascem junto com o CNPJ e como se formalizar como MEI em poucos minutos, do jeito certo, sem cair nos erros que levam ao desenquadramento.
Tópicos neste artigo
- O que é MEI e por que ele existe
- Quem pode ser MEI em 2026: requisitos e limites
- Como se formalizar como MEI: passo a passo
- Quanto custa ser MEI: o DAS e os benefícios
- Obrigações do MEI e erros que custam o CNPJ
- Como emitir nota fiscal de MEI sem retrabalho
- Perguntas Frequentes

O que é MEI e por que ele existe
MEI é a sigla de Microempreendedor Individual, o regime empresarial mais simples do Brasil. Ele foi criado pela Lei Complementar 128/2008, que alterou a Lei Complementar 123/2006, justamente para tirar da informalidade quem trabalha por conta própria e não tinha estrutura para abrir uma empresa tradicional.
Na prática, o MEI é uma empresa de verdade, com CNPJ próprio, mas com uma burocracia reduzida ao mínimo. Você não precisa de contrato social, capital social nem de sócio.
A definição legal em uma frase
O MEI é o empresário individual que fatura até o teto anual permitido, exerce uma atividade prevista na lista oficial, não é sócio nem titular de outra empresa e contrata no máximo um funcionário. Todos esses requisitos vêm da Resolução CGSN nº 140/2018, que consolida as regras do Simples Nacional.
Perceba a lógica: o Estado troca simplicidade por limite. Você ganha um regime enxuto e paga um valor fixo por mês, desde que continue pequeno.
O que muda quando você tem CNPJ
A formalização não é apenas um número novo em um documento. Ela destrava operações que a informalidade bloqueia:
- Emissão de nota fiscal: você passa a vender para empresas e para o poder público, que só compram com documento fiscal
- Conta bancária empresarial: separa o dinheiro do negócio do dinheiro da casa
- Crédito com taxa de pessoa jurídica: linhas de capital de giro que pessoa física não acessa
- Cobertura previdenciária: contribuição ao INSS com direito a aposentadoria por idade, auxílio-doença e salário-maternidade
- Contratação de um empregado: com registro em carteira e recolhimentos reduzidos
MEI, autônomo e ME: não confunda
O autônomo sem CNPJ é pessoa física, recolhe INSS por carnê e não emite nota fiscal eletrônica própria. O MEI é pessoa jurídica com regras simplificadas. A Microempresa (ME) é o degrau seguinte, com teto de faturamento maior, contabilidade obrigatória e tributação calculada por percentual sobre a receita.
Entenda agora se o seu caso cabe nas regras de 2026.
Quer sair da informalidade e já vender com nota fiscal?
Quem pode ser MEI em 2026: requisitos e limites
Antes de abrir, vale checar três filtros: faturamento, atividade e situação cadastral. Falhar em qualquer um deles gera desenquadramento mais tarde, muitas vezes com cobrança retroativa.
Limite de faturamento do MEI
Em 2026, o limite do MEI continua em R$ 81.000 por ano, o que equivale a uma média de R$ 6.750 por mês. O teto é anual, então faturar R$ 10.000 em um mês forte não é problema, desde que o acumulado do ano respeite o limite.
Quem abre o CNPJ no meio do ano tem limite proporcional. A conta é R$ 6.750 multiplicado pelo número de meses restantes, contando o mês da abertura. Abriu em setembro? O teto do ano é R$ 27.000.
O MEI Caminhoneiro é a exceção da regra: o transportador autônomo de cargas formalizado como MEI tem teto próprio de R$ 251.600 por ano.
Atenção: a Lei Complementar 238, sancionada em 21 de outubro de 2026, eleva o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 e permite até dois empregados a partir de 2027. Para o ano-calendário de 2026, o limite válido continua sendo R$ 81.000. Veja as datas e o perdão de dívidas no guia teto do MEI em 2027, empregados e perdão de dívidas.
eBook gratuito: o Guia do MEI 2027 reúne em 12 páginas o calendário do novo teto, a regra dos dois empregados, o perdão de dívidas e um autodiagnóstico. Receba o guia no WhatsApp.
Atividades permitidas (a lista de CNAE)
Nem toda profissão pode ser MEI. A lista de ocupações permitidas é fixada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional e cobre mais de 400 atividades, como cabeleireiro, confeiteiro, eletricista, costureira, motorista de aplicativo, desenvolvedor de sistemas e comerciante de vestuário.
Cada ocupação vira um CNAE no seu cadastro, e é ele que define se você paga o adicional de ICMS (comércio e indústria), de ISS (serviços) ou os dois. Escolher o CNAE errado gera imposto errado e nota fiscal rejeitada.
Quem não pode ser MEI
Estão fora do regime, entre outros casos:
- Profissões regulamentadas por conselho de classe, como médico, advogado, engenheiro, contador, dentista e psicólogo
- Quem é sócio, titular ou administrador de outra empresa
- Quem já tem outro CNPJ de MEI ativo, já que só é permitido um por pessoa
- Servidor público federal em atividade, conforme as regras do próprio órgão
- Estrangeiro sem visto permanente
Passou pelos cinco filtros? Então a formalização leva menos tempo do que a leitura deste artigo.
Vai abrir o CNPJ e já quer emitir nota no primeiro dia?
Nem toda atividade digital cabe no MEI. Se você vende curso online, trabalha como afiliado ou cuida de redes sociais de clientes, veja o enquadramento de cada atividade em Impostos no mercado digital: infoprodutor, afiliado, dropshipping e social media.
Como se formalizar como MEI: passo a passo
A formalização como MEI é 100% digital e feita no Portal do Empreendedor, o site oficial do Governo Federal. O registro em si não tem taxa, e o CNPJ sai na hora, ao final do preenchimento.
Etapa 1: organize os dados antes de começar
Ter tudo à mão evita reiniciar o cadastro. Separe:
- CPF e data de nascimento do titular
- Número do recibo da última declaração de Imposto de Renda, ou título de eleitor, para validação
- Conta gov.br nível prata ou ouro, obrigatória para acessar o serviço
- Endereço completo do negócio e da residência, com CEP
- Definição da atividade principal e de até 15 atividades secundárias
Etapa 2: faça o cadastro no Portal do Empreendedor
- Acesse o Portal do Empreendedor (gov.br/mei) e escolha a opção “Quero ser MEI”
- Entre com a sua conta gov.br e autorize o uso dos dados pessoais
- Informe a atividade principal e as secundárias, selecionando a ocupação exata da lista
- Preencha a forma de atuação (estabelecimento fixo, internet, porta a porta ou em local próprio)
- Cadastre os endereços e declare que você atende aos requisitos legais
- Conclua e baixe o CCMEI, o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual
Etapa 3: guarde o CCMEI e confira o alvará
O CCMEI é o documento que comprova a existência do seu MEI. Ele traz o CNPJ, os CNAE registrados e serve como alvará provisório de funcionamento em muitos municípios.
Na prática, “provisório” significa que a prefeitura pode exigir vistoria depois. Confira as regras locais antes de abrir as portas, principalmente em alimentação, saúde e atividades com atendimento ao público.
Etapa 4: resolva as inscrições fiscais
Quem vende produtos precisa de Inscrição Estadual na SEFAZ do seu estado para emitir NF-e. Quem presta serviços normalmente precisa de cadastro municipal (CCM) para emitir NFS-e. Esses dois passos não saem automaticamente do Portal do Empreendedor, e é aqui que muitos MEIs travam na primeira venda para empresa.
Com o CNPJ na mão, chega a parte que pesa no bolso todo mês.
Quanto custa ser MEI: o DAS e os benefícios
O MEI paga um valor fixo mensal, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Ele substitui a maior parte dos tributos federais e concentra tudo em uma guia só.
Os valores do DAS em 2026
O DAS é composto por 5% do salário mínimo (a parte do INSS) mais um adicional fixo definido pela atividade:
| Tipo de atividade | Adicional | DAS mensal em 2026 |
| Comércio ou indústria | Comércio ou indústria | R$ 76,90 |
| Prestação de serviços | R$ 5,00 de ISS | R$ 80,90 |
| Comércio e serviços juntos | R$ 6,00 (ICMS e ISS) | R$ 81,90 |
O vencimento é sempre no dia 20 do mês seguinte. A guia é gerada no PGMEI, e você pode emitir todas as guias do ano de uma vez.
Muita gente vê o DAS como imposto e esquece que a maior parte dele é contribuição previdenciária. Pagando em dia, você tem direito a:
- Aposentadoria por idade, com carência de 180 contribuições
- Auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença, após 12 meses de contribuição
- Salário-maternidade, também após 12 contribuições
- Pensão por morte e auxílio-reclusão para os dependentes
O que acontece se o DAS atrasar
Atraso gera multa e juros, mas o problema maior é outro: meses não pagos não contam como carência no INSS, e o débito acumulado leva o CNPJ à situação de inapto após 12 meses de inadimplência. Inapto significa CNPJ suspenso, sem emissão de nota e sem certidão negativa.
Além do pagamento, existem obrigações que o MEI descobre tarde demais.
Quando o faturamento passa do limite do MEI, o caminho natural é a microempresa no Simples Nacional. O passo a passo está em Como aderir ao Simples Nacional em 2027.
Obrigações do MEI e erros que custam o CNPJ
Formalizar é o começo. Manter o MEI regular exige três rotinas simples e a atenção a quatro erros clássicos.
A declaração anual (DASN-SIMEI)
Todo MEI entrega uma declaração anual informando o faturamento bruto do ano anterior. O prazo vai até 31 de maio, e a entrega é feita no portal do Simples Nacional, sem custo.
Atenção: a declaração é obrigatória mesmo se o faturamento do ano tiver sido zero. A entrega em atraso gera multa mínima de R$ 50,00, e a omissão bloqueia a emissão das guias do DAS.
O relatório mensal de receitas
Até o dia 20 de cada mês, o MEI deve preencher um relatório com o total vendido no mês anterior, separando vendas com nota fiscal e sem nota fiscal. O relatório fica arquivado com você, não é enviado, mas pode ser exigido em fiscalização.
Na prática, quem emite nota fiscal para tudo já tem o relatório pronto, porque o próprio sistema soma o faturamento.
Quando o MEI é obrigado a emitir nota fiscal
A regra é direta: a nota fiscal é obrigatória em toda venda para pessoa jurídica e para órgãos públicos. Na venda para consumidor pessoa física, ela é opcional, exceto se o cliente pedir.
Comércio e indústria emitem NF-e (nota fiscal eletrônica, modelo 55). Prestadores de serviço emitem NFS-e (também escrita NFSe), pelo padrão nacional ou pelo sistema da prefeitura.
Os quatro erros que mais derrubam MEIs
- Estourar o limite sem comunicar: até 20% de excesso (até R$ 97.200) o desenquadramento vale a partir do ano seguinte; acima disso, ele retroage a janeiro, com recolhimento como Microempresa
- Acumular DAS em atraso: perde carência do INSS e leva o CNPJ à inaptidão
- Registrar o CNAE errado: gera tributo indevido e rejeição na emissão da nota
- Misturar caixa pessoal e da empresa: impede saber o lucro real e dificulta comprovar renda no banco
Corrigir esses pontos é mais fácil quando a emissão de nota deixa de ser um problema.
Como emitir nota fiscal de MEI sem retrabalho
A dor mais comum de quem acabou de se formalizar não é o imposto, é a operação: portal da prefeitura fora do ar, campo obrigatório sem explicação, rejeição da SEFAZ sem motivo claro e planilha paralela para saber quanto já faturou no ano.

O que o Alcance Contabilidade resolve para o MEI
- Emissão de NF-e e NFS-e na mesma plataforma, com os campos fiscais já validados antes do envio
- Cadastro de clientes e produtos reaproveitado em cada nota, o que elimina digitação repetida
- Controle de faturamento acumulado, para você acompanhar o quanto falta para o teto de R$ 81.000
- Contas a pagar e a receber, separando de vez o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal
Por que isso importa no primeiro ano
É no começo que o MEI perde vendas por não conseguir emitir a nota no prazo combinado.
Se você acabou de abrir o CNPJ, comece com o processo certo em vez de arrumar o histórico depois.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo demora para abrir um MEI?
O cadastro no Portal do Empreendedor leva cerca de 15 minutos e o CNPJ é gerado na hora, ao final do preenchimento. O que costuma demorar depois são as inscrições estadual ou municipal, necessárias para emitir nota fiscal, que seguem o prazo de cada SEFAZ ou prefeitura.
Preciso pagar alguma taxa para me formalizar como MEI?
Não. O registro no Portal do Empreendedor é um serviço público sem taxa de abertura. O único custo recorrente é o DAS mensal, que em 2026 varia de R$ 76,90 a R$ 81,90 conforme a atividade. Desconfie de sites que cobram pela abertura.
O MEI é obrigado a emitir nota fiscal em toda venda?
Não em toda venda. A nota é obrigatória quando o cliente é pessoa jurídica ou órgão público. Para consumidor pessoa física, ela é opcional, mas deve ser emitida se o cliente solicitar. Na prática, emitir sempre facilita o controle do faturamento e a declaração anual.
Em resumo
- MEI é o Microempreendedor Individual, regime criado pela Lei Complementar 128/2008 para quem trabalha por conta própria e quer ter CNPJ.
- O limite de faturamento em 2026 é de R$ 81.000 por ano, ou R$ 6.750 por mês, com cálculo proporcional no ano de abertura.
- A formalização é feita no Portal do Empreendedor com conta gov.br nível prata ou ouro, e o CCMEI sai na hora.
- O DAS de 2026 vai de R$ 76,90 a R$ 81,90 por mês conforme a atividade, e é o que garante INSS, aposentadoria e auxílio-doença.
- A declaração anual DASN-SIMEI vence em 31 de maio, e a nota fiscal é obrigatória em toda venda para pessoa jurídica.
| Item | Valor em 2026 |
| Limite anual de faturamento | R$ 81.000 |
| Limite mensal médio | R$ 6.750 |
| DAS comércio e indústria | R$ 76,90 |
| DAS prestações de serviços | R$ 80,90 |
| DAS comércio e serviços | R$ 81,90 |
| Vencimento do DAS | Dia 20 de cada mês |
| Prazo da DASN-SIMEI | 31 de maio |